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domingo, outubro 02, 2005 

E ali estavas a ensinar-me o que era o Amor Verdadeiro…

- Onde tens andado nas noites de frio, em que as bruxas se escondem e se martirizam em gélidas águas negras?

Com esta pergunta, também me gelastes as cordas vocais. Senti-me preso, senti-me sufocar. Nunca ninguém tinha tido tal efeito em mim… e o sol, o sol… onde estava para me socorrer? Não satisfeita, arrancaste do peito uma segunda pergunta:

- Houve algum céu que te contesse a vida?

Mais uma vez, não respondi, sentia-me acordado mas absorto, ridículo mas forte, dextro mas de mão esquerda em frente ao peito, completo em ti e incompleto na vida que vivi até aí.

- Sabes, tantos pássaros voam por estes céus! Onde habito ninguém me alcança, nada me desloca, só consigo ser eu em ti, no teu amor, Meu Amor...

Esta última palavra desbloqueou a minha vontade, bloqueando qualquer reserva física ou emocional que poderia sentir por ti. Não que a tivesse, mas em todo o caso foi mais seguro assim. Articulei:

- Porque me dizes isso? Que sabes tu do sangue que corre debaixo das pontes, debaixo da terra? Que sabes dos Homens, que sabes das Mulheres, que sabes de coisa alguma e de coisa nenhuma? De onde te vem essa aura que me encanta, para onde me puxa o teu olhar? Para uma prisão em fogo, para um cativeiro sufocante, tenho a certeza…

Com a última expressão deixei de respirar. E assim fiquei…

- Presta atenção. Não há nada de divino em ser humano, mas ser humano é ser divino em todas as acções. Cada respiração ofegante que dás é sentida por todos os que guardam uma esperança de que a vida é melhor aqui do que no céu. Por isso vim, quero sentir-te desfalecer em meus braços… êxtase púrpura! vil metal!... Só tu me podes mostrar o que há de divino em todos os seres. Foste feito para mim, só tu me correspondes...

Fiquei calado, virulento. Ela continuou:

- Sabes, só existe um amor na vida, todos os outros são experiências furtivas, todos os outros são desnecessários, impuros, torpes... Todos amamos muitas pessoas, diversas pessoas ao mesmo tempo, agastados que somos pela falta que nos faz o sentimento puro. Podes ter amado duas mulheres ao mesmo tempo, os deuses permitem-no, nada te dirão, nesta e na próxima vida…

Encolheste os ombros, acendeste mais um cigarro. Intestinamente, odiei-te… quem te teria dado a loucura suficiente para tanto saberes? Olhaste-me, compreendendo o que eu sentia… Eu, pelo menos, assim o senti. Continuaste…

- Quando encontrares a pessoa que te funda, a pessoa que de ti faz parte, mais do que qualquer dos teus órgãos viscerais, aí vais saber o que é o Amor Verdadeiro, o amor que se reserva a uma pessoa apenas durante todas as vidas que vivemos.

Escrevo Amor Verdadeiro com letras maiúsculas, pois disseste-me que era assim que o devia relatar. Só assim o distinguiria do amor, amor que qualquer pessoa sente por outrem. Não era disso que me falavas, hoje sei...

- Está curioso? Então eu explico-te! No início dos tempos, nascemos com um único destino, amarmos quem nos funda, quem nos completa, mas tão completamente que um é o eu do outro e em si mesmo! É para encontrar o nosso eu em outro que vivemos… é para isso que aqui estou, tu és o meu eu e eu sou o eu em ti…

Continuou.

- Podes ser de outras pessoas, mas só eu te completarei… Só da minha boca sentirás os lábios, só da minha carne sentirás a carne, só do meu peito sentirás o coração… Serás meu, irei possuir-te! E tu possuir-me-ás a mim, com a loucura dos céus que está guardada em ti para me dares, para te dares todo… Todas as posses que sofreste não te parecerão senão beijos doentios, todas as palavras de outras serão amplexos roxos de fúria. Comigo saberás o que é a Vida, saberás o que é o Amor Verdadeiro…

Senti que estas palavras como uma maldição. Nunca acreditei em um Amor Verdadeiro, um único amor. Mas a certeza com que me dizia estas palavras fazia com que acreditasse fundadamente nisso, ainda que me revoltasse, ainda que me secasse, ainda que me castigasse por ter sido ingénuo.

Mas ali estavas a ensinar-me o que era o amor. Continuaste por muitos dias. Hoje acredito em, não sabendo o que para mim representas. Se te pudesse ver mais uma vez...

Essa do lirismo está demais, Pachita. Continuas impagável... eheheheheh

Muitas paixões, sem dúvida! Amores aluns, no doubt! Voltar a amar depois de um grande amor acontece não raras vezes... Que o amor é circunstancial e situacional, hoje tenho a certeza absoluta de que assim é...

Pachita, como o autor deste texto que publiquei, acredito no Amor Verdadeiro... Ainda sou, como dizes, um romântico. Ou um parvo, ou um tonto...

Beijos para ti...

PS: Até os comemos... SLB, SLB

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