Finalmente chove
Pararam as ameaças de chuva que pairavam desde o início da semana, ainda que terça-feira chegasse mesmo a chover de madrugada; quando saí de casa pela manhã, encontrei apenas a estrada molhada. Os ameaços concretizaram-se hoje, chovendo bem durante toda a manhã. Foi a chuva do meu contentamento, a chuva que me faltava para pontuar um qualquer estado do espírito. Não me sinto cabisbaixo. Não, não é isso, sinto-me macio, sinto-me confortável. A chuva sempre foi para mim uma dádiva, uma bênção que me faz acreditar que Deus existe e que presidiu à criação do mundo e das coisas belas. A chuva é uma manifestação divina, tenho a certeza.
Desde que me lembro de mim, sempre gostei de chuva. Quando era miúdo – um bocadinho mais do que agora – vinha da escola à chuva e deixava que me invadisse a roupa, me ensopasse os ossos, me lavasse a cara e que me arrepiasse os cabelos, que eu tentava espetar, achava que me ficava bem… e chegava a casa e a minha mãe mandava-me tomar um banho de água a ferver. Eu entendia aquilo não como uma reprimenda, mas como um prémio. Eram os banhos que melhor me sabiam (e, segredo absoluto, me sabem ainda, por isso ando sempre constipado…). Depois, vestia o pijama e embrulhava-me num cobertor até ao jantar, gozando o calor e o bem-estar de um banho quente que segue uma “molha”.
Agora, mais comedido, vejo-a da janela, como hoje. Cai e eu tento olhar para o céu, tentando descortinar de onde, qual a nuvem que está na sua origem. Depois tento seguir o trajecto de uma pinga em particular, uma qualquer que me agrade. Penso: “depois de cair no chão, há-de fazer um ciclo qualquer, um ciclo divino, e vir parar ao meu corpo, seja de que maneira for”. Não sei se assim será, mas para mim a natureza é uma coisa simples e na minha cabeça faz todo o sentido que assim seja. E sinto-me parte deste ciclo que é a Vida, sinto-me uma criação do Deus que fez todas as coisas e que deu a vida à Vida. Tudo está contido na Arquitectura Divina, até a chuva, até eu…
Gosto também do que a chuva representa. Para mim, representa o Outono e o Inverno. E eles trazem coisas que me são apetecíveis, representando o conforto, a vida de pantufas. Gosto de tantas coisas que só estas estações me proporcionam. Gosto das folhas castanhas caídas no chão, pisá-las e sentir o cheiro que libertam no ar, a vida que têm depois da desfolhada. Gosto de comer castanhas, vendidas à dúzia em folha de jornal por um velhote qualquer, de sujar as mãos de fuligem e de pintar a cara de alguém que passeie comigo. Gosto de andar de carro a chover, com a ventilação ligada e percorrer a cidade, ouvindo uma música que me lembre o Inverno. Gosto do Natal e dos enfeites e luzes que decoram a cidade, gosto do espírito das pessoas nesta quadra e dos sorrisos que trocam com quem passa.
Gosto de vestir roupa quentinha. Gosto de sobretudos, de camisolas de lã e de camisolas interiores felpudas. Gosto de cachecóis, de luvas e de meias. Uso os cachecóis com fato, entre a camisa e o casaco, para me proteger do frio e das mudanças de temperatura, que me fazem mal. Gosto de ver todas as pessoas de roupa de Inverno. As mulheres ficam muito mais atraentes em roupa de Inverno, sem dúvida alguma. Botas, calças de ganga claras, camisola de lã de gola alta, casaco e cachecol, cabelo pelos ombros são suficientes para que uma mulher fique deslumbrante.
Gosto de me embrulhar num cobertor durante a noite enquanto trabalho ou leio. Gosto de ter muita roupa na cama e de a puxar para cima até só se ver o meu cabelo. Gosto de me enroscar todo em mim e dormir aconchegado por um edredão grosso.
Nestas estações, sinto-me protegido, sinto que nada me poderá acontecer. Sinto que todas as agressões do mundo me poderão ser feitas, mas que nenhuma me irá perturbar particularmente. Há qualquer coisa que me protege, qualquer coisa de divino. Não sei se a roupa, as janelas, o carro, a chuva, o Deus. Mas há qualquer coisa que me anima na chuva e nas estações negras. Tenho uma sensação de natureza a fazer o seu trabalho, impávida e serena, sem se importar comigo ou qualquer dos outros que sonham que podem mudar o mundo. E não posso deixar de dizer que isso me consola. Às vezes até me chega para ser completamente feliz.
Desde que me lembro de mim, sempre gostei de chuva. Quando era miúdo – um bocadinho mais do que agora – vinha da escola à chuva e deixava que me invadisse a roupa, me ensopasse os ossos, me lavasse a cara e que me arrepiasse os cabelos, que eu tentava espetar, achava que me ficava bem… e chegava a casa e a minha mãe mandava-me tomar um banho de água a ferver. Eu entendia aquilo não como uma reprimenda, mas como um prémio. Eram os banhos que melhor me sabiam (e, segredo absoluto, me sabem ainda, por isso ando sempre constipado…). Depois, vestia o pijama e embrulhava-me num cobertor até ao jantar, gozando o calor e o bem-estar de um banho quente que segue uma “molha”.
Agora, mais comedido, vejo-a da janela, como hoje. Cai e eu tento olhar para o céu, tentando descortinar de onde, qual a nuvem que está na sua origem. Depois tento seguir o trajecto de uma pinga em particular, uma qualquer que me agrade. Penso: “depois de cair no chão, há-de fazer um ciclo qualquer, um ciclo divino, e vir parar ao meu corpo, seja de que maneira for”. Não sei se assim será, mas para mim a natureza é uma coisa simples e na minha cabeça faz todo o sentido que assim seja. E sinto-me parte deste ciclo que é a Vida, sinto-me uma criação do Deus que fez todas as coisas e que deu a vida à Vida. Tudo está contido na Arquitectura Divina, até a chuva, até eu…
Gosto também do que a chuva representa. Para mim, representa o Outono e o Inverno. E eles trazem coisas que me são apetecíveis, representando o conforto, a vida de pantufas. Gosto de tantas coisas que só estas estações me proporcionam. Gosto das folhas castanhas caídas no chão, pisá-las e sentir o cheiro que libertam no ar, a vida que têm depois da desfolhada. Gosto de comer castanhas, vendidas à dúzia em folha de jornal por um velhote qualquer, de sujar as mãos de fuligem e de pintar a cara de alguém que passeie comigo. Gosto de andar de carro a chover, com a ventilação ligada e percorrer a cidade, ouvindo uma música que me lembre o Inverno. Gosto do Natal e dos enfeites e luzes que decoram a cidade, gosto do espírito das pessoas nesta quadra e dos sorrisos que trocam com quem passa.
Gosto de vestir roupa quentinha. Gosto de sobretudos, de camisolas de lã e de camisolas interiores felpudas. Gosto de cachecóis, de luvas e de meias. Uso os cachecóis com fato, entre a camisa e o casaco, para me proteger do frio e das mudanças de temperatura, que me fazem mal. Gosto de ver todas as pessoas de roupa de Inverno. As mulheres ficam muito mais atraentes em roupa de Inverno, sem dúvida alguma. Botas, calças de ganga claras, camisola de lã de gola alta, casaco e cachecol, cabelo pelos ombros são suficientes para que uma mulher fique deslumbrante.
Gosto de me embrulhar num cobertor durante a noite enquanto trabalho ou leio. Gosto de ter muita roupa na cama e de a puxar para cima até só se ver o meu cabelo. Gosto de me enroscar todo em mim e dormir aconchegado por um edredão grosso.
Nestas estações, sinto-me protegido, sinto que nada me poderá acontecer. Sinto que todas as agressões do mundo me poderão ser feitas, mas que nenhuma me irá perturbar particularmente. Há qualquer coisa que me protege, qualquer coisa de divino. Não sei se a roupa, as janelas, o carro, a chuva, o Deus. Mas há qualquer coisa que me anima na chuva e nas estações negras. Tenho uma sensação de natureza a fazer o seu trabalho, impávida e serena, sem se importar comigo ou qualquer dos outros que sonham que podem mudar o mundo. E não posso deixar de dizer que isso me consola. Às vezes até me chega para ser completamente feliz.
:)!quero estar aconchegadinha a ouvir a chuva la fora e a ver uma qq serie da rtp2! AH! o inverno!!!:)
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9/11/2005 2:17 p.m.