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segunda-feira, agosto 29, 2005 

Poema para ti

Este é o poema que fiz para ti, meu amor.
Poemas há que começam assim, consagrados,
Mas nenhum tem tua alma e teu nome marchetados
Nos versos, feitos de ouro, sangue e suor.

E na areia deste poema encontrarás teu nome escrito
Raiado pela ilusão que consome o mundo. Se a tua boca
Por aqui passar morderá cada verso no mais estrito
Sentido, aninhando a vida, levando-a, deixando-a rouca.

Teu gesto é penumbra em sombra de prata, delicioso
De cada vez que do regaço deste canto se apartar.
E o teu olhar é o acordar neste poema, afectuoso,
Daqueles que fazem da Liberdade um Homem a lutar.

Tua voz ecoa nestes versos como os sinos da aldeia
Deste teu poema. E os sinos dobram, som forte e macerado.
Na face dos aldeões encontro o teu sorriso e à ceia
Contigo e comigo se sentam, num círculo prateado.

Encontrarás o teu coração em cada estrofe deste poema
Concebido em ti, da tua carne e sangue extraído.
Cada palavra, cada gesto só em ti fazem sentido,
És cada navio que parte de mim, mar de açucena.

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