Na tua cidade
Visitei, por um acaso do destino, a cidade onde vives. Visitei-te, portanto.
Ao chegar, decidi não procurar saber onde vives, qual o prédio e o andar, qual a pastelaria onde bebes café pela manhã, não saber o nome da rua sequer. Decidi não procurar saber o sítio onde trabalhas, as pessoas com quem convives e reúnes, o sítio onde estacionas o carro.
Não são necessárias estas informações, não são suficientes, são demais.
Preferi percorrer a cidade, preferi percorrer as pessoas e os sítios que tropeçam em ti. Que vivem para ti, que lá estão por ti.
Preferi olhar as pessoas que te olham diariamente. Aquele empresário engravatado com quem te cruzas todos os dias no caminho para o emprego. Aquele, que tem umas gravatas bonitas, umas vezes às riscas, outras lisas. Aquela amiga com quem bebes chá uma vez por semana, no centro da cidade. Sempre chá de cidreira, a ferver, Verão ou Inverno, tanto faz. A mulher da banca de jornais que te vende as tuas leituras semanais e que te guarda os números dos coleccionáveis que tanto gostas, um a um, para que não percas um único fascículo. A vendedora da loja de roupa que te conhece e que sabe qual o número das calças que vestes, quais as cores que gostas mais, se a gola das camisolas de lã deve ser alta ou baixa, se a lã deve ser grossa ou fina, se gostas que a malha seja apertada…
Preferi fazer outras coisas. Preferi visitar os monumentos que visitas, as lojas e cafés que frequentas, percorrer as ruas e avenidas da cidade e descortinar nas ruas que calcorreias todos os dias os teus passos apressados de prata, os passos calmos de ouro e distingui-los dos passos de todos os outros. E segui-los, pelos traçados que fazes habitualmente, olhando as casas velhas que admiras, sentir o vento que te transporta pela cidade, ver que estugaste o passo nas vielas mais escuras, parar como paraste em frente à mulher que pede esmola e dar-lhe uma moeda também...
Preferi respirar o ar que respiras todos os dias, preferi cheirar os aromas que tu inspiras, preferi sentir o teu perfume, impregnado em todas as pessoas com quem me cruzei, nos monumentos, nos cafés e lojas, nas casas, nas ruas e avenidas… preferi ver-te reflectida nos espelhos das lojas, braço esquerdo cruzado por cima do meu ombro esquerdo, braço direito no meu flanco, a mão a agarrar a outra mão, cabeça por cima do meu ombro direito, a espreitar, matreiramente, como se me fosses pregar uma partida de criança, a partida pela qual anseio.
Porque será que nos basta uma ilusão para nos fazer felizes? E porque é que só dura o tempo dos nossos sonhos e não o dos nossos desejos?
Ao chegar, decidi não procurar saber onde vives, qual o prédio e o andar, qual a pastelaria onde bebes café pela manhã, não saber o nome da rua sequer. Decidi não procurar saber o sítio onde trabalhas, as pessoas com quem convives e reúnes, o sítio onde estacionas o carro.
Não são necessárias estas informações, não são suficientes, são demais.
Preferi percorrer a cidade, preferi percorrer as pessoas e os sítios que tropeçam em ti. Que vivem para ti, que lá estão por ti.
Preferi olhar as pessoas que te olham diariamente. Aquele empresário engravatado com quem te cruzas todos os dias no caminho para o emprego. Aquele, que tem umas gravatas bonitas, umas vezes às riscas, outras lisas. Aquela amiga com quem bebes chá uma vez por semana, no centro da cidade. Sempre chá de cidreira, a ferver, Verão ou Inverno, tanto faz. A mulher da banca de jornais que te vende as tuas leituras semanais e que te guarda os números dos coleccionáveis que tanto gostas, um a um, para que não percas um único fascículo. A vendedora da loja de roupa que te conhece e que sabe qual o número das calças que vestes, quais as cores que gostas mais, se a gola das camisolas de lã deve ser alta ou baixa, se a lã deve ser grossa ou fina, se gostas que a malha seja apertada…
Preferi fazer outras coisas. Preferi visitar os monumentos que visitas, as lojas e cafés que frequentas, percorrer as ruas e avenidas da cidade e descortinar nas ruas que calcorreias todos os dias os teus passos apressados de prata, os passos calmos de ouro e distingui-los dos passos de todos os outros. E segui-los, pelos traçados que fazes habitualmente, olhando as casas velhas que admiras, sentir o vento que te transporta pela cidade, ver que estugaste o passo nas vielas mais escuras, parar como paraste em frente à mulher que pede esmola e dar-lhe uma moeda também...
Preferi respirar o ar que respiras todos os dias, preferi cheirar os aromas que tu inspiras, preferi sentir o teu perfume, impregnado em todas as pessoas com quem me cruzei, nos monumentos, nos cafés e lojas, nas casas, nas ruas e avenidas… preferi ver-te reflectida nos espelhos das lojas, braço esquerdo cruzado por cima do meu ombro esquerdo, braço direito no meu flanco, a mão a agarrar a outra mão, cabeça por cima do meu ombro direito, a espreitar, matreiramente, como se me fosses pregar uma partida de criança, a partida pela qual anseio.
Porque será que nos basta uma ilusão para nos fazer felizes? E porque é que só dura o tempo dos nossos sonhos e não o dos nossos desejos?