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terça-feira, agosto 16, 2005 

A interrogação formal

As palavras que guardo em mim para te dizer
Esvaiassem-se em segundos. Cândidos passam, ao som de melodias
Que nunca ouvistes e de expressões que nunca lestes.
Indesdíziveis, ainda assim. Lânguidas e serenas.

Os sentimentos que experimentei para te ter
Estão incrustados na minha pele. Quando dizias
“Amo-te” soltava-se-me o sangue, a vida que me destes…
Todo eu era brasa, era suor, ainda que em horas pequenas.

O desejo que me habita escarnece de tudo quanto tive
Até agora. De tudo quanto vi e ouvi e senti e degustei.
Parece-me que não há sentido no sentido das coisas.
A vida parece-me em contramão e eu viajo de cabelos ao vento.

O amor que te reservo não sei se é morto, não sei de vive
Ou se é só um tormento de alma, um tormento no corpo. Nem tão pouco sei
Se mora em mim, se mora nos objectos, nos maridos e esposas
Que passam por mim, se nas flores, na brisa, no relento…

Neste momento não tenho categoria onde te integrar.
Não sei que fazer à tua memória, aos teus amplexos, à tua voz,
Não sei a que avenidas te posso levar a passear.
Não sei se deixe morrer a esperança de te ver. Mulher, o que vai ser de nós?

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