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segunda-feira, agosto 22, 2005 

Tonalidade

Chegaste-me envelopada numa síncope cardíaca
E abrasaste e condensaste o meu corpo ao teu,
A tua voz aos meus cabelos, a minha vida às tuas mãos,
O meu ombro à tua face. Hoje, perdida nas vinhas da indecisão
Comes uvas como quem chora lágrimas de sangue e lágrimas
De suor. Não há mar que me contenha ou força que me seduza.
Perdi-te. Hoje sei-o. Mas os pássaros lembrar-me-ão o sal
Em ti, na música que cantarão ao meu corpo, aos
Meus cabelos, à minha vida, ao meu ombro. Na tonalidade Dor.

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