Tempos simples
Onde está o tempo em que era eu? Ou outro qualquer, vago e disperso.
Onde está a coragem de me libertar, de me desertar completamente,
De ser noite e dia no mesmo instante? Onde estou
Sem ser em mim, sem ser nos outros, sem ser em ti?
Procuro-me na acidez de cada momento, na chuva dolente que se abate a meus pés.
Sou insípido, mergulho no amor de todas as mulheres e desperto. Consciencio-me.
Não tenho nada, mas sou um pouco de tudo. Tenho-te debaixo de um braço.
O espaço que me contêm foge à minha frente. No entanto,
Deixou-me um tempo oblíquo, um tempo que não me serve
Mas que convém aos propósitos do mundo. Da sua velocidade
E da sua insanidade faço uma grilheta que me acalma as dores.
Sou a margem direita de um rio seco, sou a coerência de um incoerente.
Aquilo que faço nas manhãs de jasmim em que acordo cedo
É o mesmo que faço nas noites frígidas do meu sono:
Completo o meu quebra-cabeças, desmontando e desmontando e desmontando-me,
Sou composto por mil peças e nenhuma é verdadeiramente minha,
São de outros que não reconheço, são dos que vacilam, dos que argumentam.
Os tempos simples que anseio estão no fundo da gaveta da minha alma,
Na cómoda de bronze do meu esquecimento e não a encontro!, não a encontro…
Será que a tenho debaixo de outro braço qualquer?
Onde está a coragem de me libertar, de me desertar completamente,
De ser noite e dia no mesmo instante? Onde estou
Sem ser em mim, sem ser nos outros, sem ser em ti?
Procuro-me na acidez de cada momento, na chuva dolente que se abate a meus pés.
Sou insípido, mergulho no amor de todas as mulheres e desperto. Consciencio-me.
Não tenho nada, mas sou um pouco de tudo. Tenho-te debaixo de um braço.
O espaço que me contêm foge à minha frente. No entanto,
Deixou-me um tempo oblíquo, um tempo que não me serve
Mas que convém aos propósitos do mundo. Da sua velocidade
E da sua insanidade faço uma grilheta que me acalma as dores.
Sou a margem direita de um rio seco, sou a coerência de um incoerente.
Aquilo que faço nas manhãs de jasmim em que acordo cedo
É o mesmo que faço nas noites frígidas do meu sono:
Completo o meu quebra-cabeças, desmontando e desmontando e desmontando-me,
Sou composto por mil peças e nenhuma é verdadeiramente minha,
São de outros que não reconheço, são dos que vacilam, dos que argumentam.
Os tempos simples que anseio estão no fundo da gaveta da minha alma,
Na cómoda de bronze do meu esquecimento e não a encontro!, não a encontro…
Será que a tenho debaixo de outro braço qualquer?