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sábado, setembro 03, 2005 

Sábados de manhã

Os sábados de manhã são dias meus, aprisionados que estão na minha vaga impressão de liberdade. São dias por inteiro, os sábados de manhã.

Acordo cedo, como sempre, 8:30. Tenho uma maldição em mim, deite-me a que horas me deitar, acordo até às 8:30. Depois não durmo, dou voltas e voltas à cama, voltas e voltas às emoções e tudo na mesma, tudo igual. É estranho tanto pensar e nada sair do lugar, ser tudo exactamente igual. Se calhar porque não há uma solução tangível para aquilo que penso, aquilo que sinto. Mas aos sábados de manhã isso não me parece mal nem bem. É só assim e eu gosto.

Levanto-me da cama, lavo-me e saio de casa. Tomo o pequeno-almoço sempre contigo, N., e isso sabe-me bem. E depois passeamos o K.. Este é o meu ritual de sábado de manhã e eu sou um homem de rituais. De visitar amigos aos dias de semana e nunca ao fim-de-semana, de jantar fora quando trabalho até tarde, de ir ao cinema durante a tarde a salas onde ninguém vai, de ouvir música e ler sentado no sofá azul ao final de cada noite, qualquer que ela seja.

Depois volto a casa. Sento-me no sofá azul, ao fundo do quarto. Posso fazer muitas coisas, mas só faço uma de três, sempre. A manhã dos sábados é sempre calma, propícia a rituais. Novamente os rituais, os meus rituais.

Se tenho aulas para preparar, lá me afundo nos livros, nos apontamentos, nas ideias, nos exemplos o resto da manhã. Gosto, é a minha missão. Se ando a ler um livro novo, atravesso-me no sofá e leio, leio compulsivamente, sem parar, o resto da manhã. Gosto, é o descanso da minha alma e dos meus olhos. Se não tenho nada para fazer, como é o caso, ponho música a tocar e atravesso-me também no sofá, não fazendo nada. Gosto, é o ócio em mim prostrado. Penso e repenso. Mas o resultado é sempre igual, igual ao acordar: dou voltas e voltas às emoções e tudo na mesma, tudo igual. Volto a não me importar. E esta é a verdadeira sensação de liberdade, saber que posso não saber nada, chegar a conclusão alguma, saber que tudo e todos me são indiferentes, mas que o mundo não deixará a sua órbita e rotação habitual e que todas as outras pessoas continuarão a sua vida, indiferentes à minha indiferença dos sábados de manhã.

E agora vou almoçar…

Ray LaMontagne, "Trouble"

Engraçado...como falas de rituais e rotinas que devem ser o "fora do comum" da maioria das pessoas...engraçado! E também é engraçado como sentimentos semelhantes ocupam pessoas que nunca se viram ou se conhecem...ia fazer um post (e talvez va!) sobre esse sentimento de indiferença...que não assusta não angustia e estranhamente nos liberta.

Bomresto de fds

Engraçado... nunca tinha reparado que os meus rituais e rotinas são fora do comum :) São meus e nunca tinha pensado em comparação com outros. Mas hei-de fazer um post sobre todos os rituais que tenho.

E tens toda a razão, há qualquer coisa nesta partilha que é muito engraçado, acho que já tinha comentado no teu blog. É libertador, como os meus sábados de manhã, como a minha indiferença. Que como dizes, não é boa nem má, é só assim...

Bom fim-de-semana

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