Tivesse eu todas as forças do mundo em mim…
Tivesse eu todas as forças do mundo em mim para te tentar trazer à tona, tivesse eu as forças que te repelem de uma morte certa e seria um pássaro de asas negras e de peito alvo. A aurora em ti seria só a aurora e tu em mim serias só tu, ainda que isso fosse o que me faltava para me preencher naquele momento ou aquele momento, não estou bem certo. Como hoje não estou certo a que realidade pertencias ou pertences.
O certo é que chegaste à minha vida de uma forma estranha, de uma forma lisonjeira. Era noite em ti. Talvez fosse noite lá fora. A impressão vaga em que me deixaste perdura em mim como se houvesse outro caminho a seguir. Estavas ao fundo do café onde costumo ir, ainda hoje lá vou. Tinhas uma blusa negra, uma vertigem nos cabelos e as mãos trémulas, como se o mundo te trouxesse a má notícia que tanto ansiavas. Puseste os olhos em mim…
Entrei, olhei-te e desprezei-te, obviamente não merecias a minha mais pequena atenção. O certo é que isso não te esmoreceu, passei por ti e tocaste-me propositadamente a mão, as raízes dos teus dedos nas minhas veias fundas. Esse toque gelou-me a inconsciência, o desprezo que te reservava, a ti e a todas as outras mulheres fulvas. E tudo o que eras percorreu-me o corpo, como sensação pueril de inocência de que não ainda não consegui desligar-me. Hoje confesso que tudo isso me chocou, não sou homem habituado a tanto desprendimento. Sem tomar café, virei as costas e saí apressadamente, sem coragem para te enfrentar, dorida com a vida que estavas. Não queria saber de desgostos nem de alegrias, nem de mortes nem de vidas, nem de deuses nem de fantasias… Só queria aquilo que se me afigurasse real, que fosse totalmente seguro.
Mas algo em ti me fez mudar de ideias. Voltei no dia seguinte na esperança de te encontrar. Hoje não sei o porquê de te querer nesse dia, não sei se com vontade de te compreender e estender a mão, se com vontade de te votar a um ostracismo do qual nunca saísses. Lá estavas. Sem pedir licença, sentei-me, como se estivesses à minha espera desde sempre.
Começaste a falar…
O certo é que chegaste à minha vida de uma forma estranha, de uma forma lisonjeira. Era noite em ti. Talvez fosse noite lá fora. A impressão vaga em que me deixaste perdura em mim como se houvesse outro caminho a seguir. Estavas ao fundo do café onde costumo ir, ainda hoje lá vou. Tinhas uma blusa negra, uma vertigem nos cabelos e as mãos trémulas, como se o mundo te trouxesse a má notícia que tanto ansiavas. Puseste os olhos em mim…
Entrei, olhei-te e desprezei-te, obviamente não merecias a minha mais pequena atenção. O certo é que isso não te esmoreceu, passei por ti e tocaste-me propositadamente a mão, as raízes dos teus dedos nas minhas veias fundas. Esse toque gelou-me a inconsciência, o desprezo que te reservava, a ti e a todas as outras mulheres fulvas. E tudo o que eras percorreu-me o corpo, como sensação pueril de inocência de que não ainda não consegui desligar-me. Hoje confesso que tudo isso me chocou, não sou homem habituado a tanto desprendimento. Sem tomar café, virei as costas e saí apressadamente, sem coragem para te enfrentar, dorida com a vida que estavas. Não queria saber de desgostos nem de alegrias, nem de mortes nem de vidas, nem de deuses nem de fantasias… Só queria aquilo que se me afigurasse real, que fosse totalmente seguro.
Mas algo em ti me fez mudar de ideias. Voltei no dia seguinte na esperança de te encontrar. Hoje não sei o porquê de te querer nesse dia, não sei se com vontade de te compreender e estender a mão, se com vontade de te votar a um ostracismo do qual nunca saísses. Lá estavas. Sem pedir licença, sentei-me, como se estivesses à minha espera desde sempre.
Começaste a falar…