Os sonhos e as outras coisas
Hoje, fazendo a minha habitual visita pelos blogs da minha predilecção, notei que alguns falavam de qualquer coisa que eu sentia também, qualquer coisa de estranho, de impuro, de incauto… Na minha tendência de dar nomes a tudo o que vejo, sinto, vejo, oiço, a todos os sentimentos neles expressos dei o nome de sonhos. Sonhos isto, sonhos aquilo. Agora, passados apenas alguns minutos, não tenho a certeza se será bem assim. Não raras vezes engano-me nestas coisas, nestas interpretações, nestas pontes mentais de tentar dizer aos outros que é isto ou aquilo ou ainda o outro.
Mas acho que me enganei. Os sonhos não doem, a mim pelo menos. Sonho a noite toda, tenho a certeza disso. Quando acordo de manhã, nunca estou desiludido comigo, nunca estou desolado por aquilo que senti enquanto dormia. Nunca me lembro do que sonho, nunca me lembro onde estou, nunca me lembro de quem comigo está. Não sei quem é a mulher dos meus sonhos, eu nunca a vi nos meus sonhos… nunca lhe vi o rosto cândido ao luar, nunca lhe ouvi a respiração suave, nunca lhe balbuciei uma qualquer coisa sentida ao ouvido, eu nunca lhe dei a mão, nunca apertei o seu peito contra o meu num amplexo de vida… Devo ter sonhado com ela a vida toda, mas não me lembro…
Mas depois de acordar, tudo me sobe à cabeça, tudo aquilo que não sonhei, tudo aquilo que ando a sentir. Às vezes vêm-me tantas coisas à cabeça que parece que vai rebentar, que me vai ensurdecer. Penso e repenso, sinto… Faço desabar a minha vida nas suas circunstâncias e sinto-o. Sinto-o muito. Demasiado. Os meus sonhos não são assim. Eu sei que não são. Isto tem de ser outra coisa qualquer, tenho que lhe arranjar outro nome qualquer, outro que não me faça associar à palavra sonho esta dor, este pranto, esta sensação de estar sempre a partir de mim sem cais que me espere.
Não sei que nome lhe hei-de dar. Pensar não deve ser. Isto não é pensar, porque quando penso, quando trabalho, não me dói. Sou eu e uma racionalidade, decisão, objectivos e objectividade. Mas também não é sonhar acordado, isso eu sei o que é. Quando sonho acordado, sonho coisas boas, sonho com os olhos postos no horizonte, com a vida nos braços querendo lançá-la ao mar, ao sabor das ondas, ao sabor de um amor qualquer, que me preencha e me encha completamente. E este amor eu sei o que é, já sonhei acordado com ele!
Não sei o que é isto que sinto. Não sei, mas faz-me sentir que, às vezes, queria não existir, queria não sentir, queria viver despreocupado comigo e com o mundo. Há dias em que consigo, há dias em que dói demais, que não justifica nada, não justifica a mera intenção de ser feliz.
Mas acho que me enganei. Os sonhos não doem, a mim pelo menos. Sonho a noite toda, tenho a certeza disso. Quando acordo de manhã, nunca estou desiludido comigo, nunca estou desolado por aquilo que senti enquanto dormia. Nunca me lembro do que sonho, nunca me lembro onde estou, nunca me lembro de quem comigo está. Não sei quem é a mulher dos meus sonhos, eu nunca a vi nos meus sonhos… nunca lhe vi o rosto cândido ao luar, nunca lhe ouvi a respiração suave, nunca lhe balbuciei uma qualquer coisa sentida ao ouvido, eu nunca lhe dei a mão, nunca apertei o seu peito contra o meu num amplexo de vida… Devo ter sonhado com ela a vida toda, mas não me lembro…
Mas depois de acordar, tudo me sobe à cabeça, tudo aquilo que não sonhei, tudo aquilo que ando a sentir. Às vezes vêm-me tantas coisas à cabeça que parece que vai rebentar, que me vai ensurdecer. Penso e repenso, sinto… Faço desabar a minha vida nas suas circunstâncias e sinto-o. Sinto-o muito. Demasiado. Os meus sonhos não são assim. Eu sei que não são. Isto tem de ser outra coisa qualquer, tenho que lhe arranjar outro nome qualquer, outro que não me faça associar à palavra sonho esta dor, este pranto, esta sensação de estar sempre a partir de mim sem cais que me espere.
Não sei que nome lhe hei-de dar. Pensar não deve ser. Isto não é pensar, porque quando penso, quando trabalho, não me dói. Sou eu e uma racionalidade, decisão, objectivos e objectividade. Mas também não é sonhar acordado, isso eu sei o que é. Quando sonho acordado, sonho coisas boas, sonho com os olhos postos no horizonte, com a vida nos braços querendo lançá-la ao mar, ao sabor das ondas, ao sabor de um amor qualquer, que me preencha e me encha completamente. E este amor eu sei o que é, já sonhei acordado com ele!
Não sei o que é isto que sinto. Não sei, mas faz-me sentir que, às vezes, queria não existir, queria não sentir, queria viver despreocupado comigo e com o mundo. Há dias em que consigo, há dias em que dói demais, que não justifica nada, não justifica a mera intenção de ser feliz.
Li uns quantos posts e achei interessante: parece que a necessidade do escrever se deve a uma desilusão amorosa...
Por isso tem que ser um blog desgraçado! uma leitora aconselhava a "levantar o astral" a mim parece-me que tem que ser assim mesmo... é para essa catarse que os blogs/diário servem, para ficar mais aliviado...
Desculpa se me enganei.
Posted by
Anónimo |
9/14/2005 12:08 p.m.
Hum… análise interessante. Mas não sei te enganaste :), mas também isso não interessa para nada. E gosto muito da categoria que deste ao blog… blog desgraçado. ihihihihih
Desilusão amorosa! Sim, já tive algumas… mas escrevo não por causa delas, mas porque me sinto bem a fazê-lo. Escrevo coisas. Uma sobre amor, outras sobre outras coisas quaisquer. Umas negativas, outras positivas, embora não as classifique nesta ordem. É mais: preciso ou não preciso de dizer isto?, sabe-me ou não bem? E por isso escrever neste blog é sempre positivo. É a catarse de que falas… é isso mesmo.
Mas hoje não foi por mim que escrevi este texto. Não tenho razões objectivas para o escrever – pelo menos hoje -, foi por tudo o que li antes de me sentar a escrever. É engraçado como ás vezes sinto todas as dores do mundo em mim. É estranho, mas foi isso que me aconteceu hoje. Nada me fez pensar em mim, mas revi alguns sentimentos que tive nas coisas que li. E isso, estranhamente, afectou-me muito. E por isso, resolvi-me a escrever uma coisa que nunca tinha pensado, mas que hoje fez algum sentido.
Só tenho pena que este texto não faça sentido nenhum :). Apesar disso, volta sempre que puderes e quiseres. Bem-vindo ao blog desgraçado…
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Cabisbaixo |
9/14/2005 4:55 p.m.
Pois não este texto não sentido nenhum, no entanto há passagens extremamente bonitas e verdadeiras...
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x |
9/14/2005 6:40 p.m.
muito obrigada pelo comment, espero receber muitas visitas tuas.. :)ah.. e nunca desistas de sonhar. *
Posted by
rita |
9/14/2005 9:01 p.m.
Just me: pois, neste blog as coisas não fazerem sentido nenhum já começa a ser um hábito... :)
Rita: muito bem-vinda, aparece sempre que quiseres. Mas concerteza que visitarei muitas vezes o teu blog, como já o vinha fazendo. Sonhar? Sonho muitas vezes. E também sonho muitas vezes acordado... E isso é muito bom!
Posted by
Cabisbaixo |
9/15/2005 12:23 a.m.