Ironia
Nesta vida, há uma tendência para experimentamos a ironia, de a sentirmos atravessar aquilo que nos pertence ou as coisas que vivemos. Experimentamo-la de tantas formas, tantas vezes. São aqueles acontecimentos ou factos da vida que se revestem de tantas interpretações em tantos sentidos, que só cada um de nós, imbuído de um determinado estado de espírito, é capaz de fazer daquela forma, aquela em que tudo tem dois lados, duas faces que se riem em conjunto, uma da outra…
Aqui estou eu, com uma vintena e tal de anos, com cabelos brancos. Poucos, mas notabilíssimos. Pouca é também a minha barba, que demora muito tempo a crescer e que me surgiu muito tarde. Como é que na mesma parte do nosso corpo podemos ser tão diferentes, tão dissemelhantes? Há qualquer coisa de irónico em crescer em tantas coisas de uma forma rápida, transgressora de todas as leis da natureza e noutras sermos eternas crianças, sem que nada o justifique.
Quando era pequeno, as minhas ambições eram desmesuradamente justas. Poucas ou nenhumas. Nunca me vi a fazer aquilo que faço hoje, nunca o desejei até ter 20 anos. Foi um mero acaso, um caminho que eu próprio abri sem ter a consciência de que o fazia, sem planear e sem o justificar. Quando ele se estendeu à minha frente, não hesitei e agarrei-o, como faço com tudo aquilo que me parece aliciante, motivante. Com paixão… E agora, como então, caminho. Sem procurar dar passos, sem ter objectivo definido. E este caminho leva-me onde tiver que me levar, até que outro se interponha a este e me leve para outro sítio, outra ideia. É irónico fazer um caminho que não escolhi, que não procurei e me pareça o ideal, aquele que tem de ser. E saber que o próximo que tomar me parecerá ideal, como sempre…
Há uma outra coisa que é muito irónica na minha vida. É toda esta sensação de querer toda a liberdade que conseguir, em que não existem regras, grilhetas ou impossíveis. Ao mesmo tempo, sinto que tenho de pertencer a alguém. Na simplicidade e em todos os momentos.
Há qualquer coisa de muito belo em toda esta ironia…
Aqui estou eu, com uma vintena e tal de anos, com cabelos brancos. Poucos, mas notabilíssimos. Pouca é também a minha barba, que demora muito tempo a crescer e que me surgiu muito tarde. Como é que na mesma parte do nosso corpo podemos ser tão diferentes, tão dissemelhantes? Há qualquer coisa de irónico em crescer em tantas coisas de uma forma rápida, transgressora de todas as leis da natureza e noutras sermos eternas crianças, sem que nada o justifique.
Quando era pequeno, as minhas ambições eram desmesuradamente justas. Poucas ou nenhumas. Nunca me vi a fazer aquilo que faço hoje, nunca o desejei até ter 20 anos. Foi um mero acaso, um caminho que eu próprio abri sem ter a consciência de que o fazia, sem planear e sem o justificar. Quando ele se estendeu à minha frente, não hesitei e agarrei-o, como faço com tudo aquilo que me parece aliciante, motivante. Com paixão… E agora, como então, caminho. Sem procurar dar passos, sem ter objectivo definido. E este caminho leva-me onde tiver que me levar, até que outro se interponha a este e me leve para outro sítio, outra ideia. É irónico fazer um caminho que não escolhi, que não procurei e me pareça o ideal, aquele que tem de ser. E saber que o próximo que tomar me parecerá ideal, como sempre…
Há uma outra coisa que é muito irónica na minha vida. É toda esta sensação de querer toda a liberdade que conseguir, em que não existem regras, grilhetas ou impossíveis. Ao mesmo tempo, sinto que tenho de pertencer a alguém. Na simplicidade e em todos os momentos.
Há qualquer coisa de muito belo em toda esta ironia…
Fiquei siderada com estas palavras, está belíssimo. Há mesmo coisas que não escolhemos, pelo menos conscientemente e que, mais tarde, se revelam óptimas surpresas, escolhas acertadas e por aí fora. E saber que tudo isso acontece espontaneamente, segundo a ordem natural das coisas, com toda essa simplicidade com que o descreves, é ainda mais magnificiente. Temos todos, uns mais do que outros, necessidade de complementaridade com alguém, com um outro que partilhe, de alguma forma, em algum momnento, das nossas certezas, das nossas dúvidas, dos nossos gostos, daquilo que nos desagrada, dos nossos projectos, das nossas ambições, das nossas preferências e de muitas outras coisas que nem sequer são passíveis de concretização em palavras.
Beijo, gostei muito, muito mesmo.
Posted by
Rita |
12/01/2005 5:27 p.m.
Quando "pertencemos a alguém na simplicidade e em todos os momentos" é quando atingimos a liberdade de ser.
Ama-se o outro por um gesto, um olhar, um detalhe, mas principalmente pelo que nos tornamos quando estamos com ele(a)... desperta o que há de melhor em nós.
E vice-versa: "Quanto mais fores o que quiseres, mais serás o que eu queria"
bjinho
Posted by
Meia Lua |
12/01/2005 5:32 p.m.
Intimidade indecente: sim, a simplicidade com que somos apanhados nas ironias da vida é deslumbrantes, desarmante, palpitante... Partilhar? Nem eu sei o que isso é...
Meia Lua: primeira curiosidade: A frase que citas, fui ler no meu post, pois não acreditava que fosse minha... que estranho. Mas o mais estranho ainda é a tua frase final, ainda mais certeira...
Beijos
Posted by
Cabisbaixo |
12/02/2005 8:40 p.m.