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sexta-feira, dezembro 23, 2005 

Amizade

Não, não vou tentar definir amizade, não me atrevo sequer. Mas queria deixar aqui um testemunho de uma demonstração de amizade para comigo, para que me lembre toda a vida da noite que passei ontem.

Jantei com antigos colegas de trabalho, pessoas que prezo muito. Por quem tenho uma grande estima e amizade. E que depois de tudo o que se passou, tiveram a coragem de me convidar para jantar, correndo os riscos inerentes a esta acção. Sem complexos e sem olhar duas vezes para trás.

E foi um jantar divertidíssimo, eu estava inspirado, como nos velhos tempos em que por lá trabalhava. Talvez porque tive um dia muito bom. Talvez porque os voltava a encontrar, passados alguns meses. E estava cheio de saudades.

Estavam todos. Estava a Graça, que continua a chamar-me “o nosso menino”, que é das coisas mais ternas e mais respeitadoras que já me disseram. Porque apesar de ser o mais novo de todos, sempre me respeitaram e apoiaram nas decisões difíceis que tive de tomar. Sempre me tentaram almofadar a queda quando a coisa correu mal. Sempre me consideraram um deles, que veste a camisola e vai à guerra. E que deu tudo pela instituição e que dá tudo por eles. Como eles me ensinaram a fazer…

Oito anos não se apagam de um dia para o outro. Nem nunca se apagam, da maneira que foram vividos. Mas é assim que transformamos os colegas de trabalho em amigos para a vida…

Tão lindo... Essa sensibilidade à flor da pele é algo de incomensuravelmente belo. Tenho a certeza que todas essas pessoas têm óptimas razões para te reservarem um lugar muito especial dentro delas. Perante essa grandeza e nobreza de sentimentos, ficamos desarmados. Obrigada por partilhares instantes tão essenciais com aqueles que por aqui passam. Pessoalmente, sinto-me uma sortuda.
Beijo grande*

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