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quarta-feira, janeiro 11, 2006 

Logo

Como eu gostava de te saber escrever nestas páginas em que escrevo a minha vida, nestas folhas amarguradas sem uma sílaba que seja tua. E tu não escrevestes nelas o nosso ponto final nem nelas caíram as águas revoltas dos teus olhos, que às vezes te jorram pelas mãos e pelos braços e pelo corpo. Nelas não existem manchas do teu suor nem do teu sangue. Exangue quando comigo estás, não há sinal teu nestas folhas. Tampouco neste quarto e nesta casa, nesta rua e neste lugar…

“Logo” pareces dizer em cada canto em que me refugio… Mas eu não sei se é tempo e não sei se é lógica o tanto que me dizes. Talvez em ti signifique aquilo que nunca em mim foi…

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